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Protetor auditivo plug ou concha: como escolher e usar na obra

Plug ou concha na obra: como escolher com a equipe, colocar do jeito certo, conservar, trocar e evitar os erros que tiram a proteção do protetor auditivo.

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Na obra, o protetor auditivo aparece em lugares estranhos: o plug de espuma pendurado no pescoço do operador do martelete, a concha virada para trás no capacete do carpinteiro na serra circular, o par de plugs no bolso da calça, junto com prego e parafuso. Ninguém deixou de entregar. O protetor só não está no ouvido. Este guia de segurança do trabalho ajuda a escolher entre plug e concha, a usar o protetor do jeito certo e a conversar com a equipe para que ele fique onde precisa ficar.

Antes de escolher: o ruído foi avaliado?

O protetor auditivo é a última barreira, não a primeira. A NR-6 manda fornecer o EPI adequado ao risco "observada a hierarquia das medidas de prevenção" (NR-6, item 6.5.1 c). Na prática, antes do plug vem afastar a betoneira da área de convivência, enclausurar o gerador ou trocar o disco gasto da serra.

O Anexo I da NR-6 trata os três tipos de protetor (circum-auricular, de inserção e semiauricular) como proteção do sistema auditivo contra níveis de pressão sonora superiores aos dos Anexos 1 e 2 da NR-15 (NR-6, Anexo I, C.1). Os limites e os tempos de exposição estão no texto oficial da NR-15. Consulte lá e no levantamento de riscos da obra, não em tabela de catálogo.

Um ponto que muita gente esquece: o protetor não dispensa a audiometria. A NR-7 manda fazer exames audiométricos de referência e sequenciais em quem trabalha em ambiente acima dos níveis de ação informados no PGR, "independentemente do uso de protetor auditivo" (NR-7, Anexo II, item 2). A audiometria também mostra se o protetor está funcionando.

Plug ou concha: o que muda no canteiro

Os dois protegem quando estão bem colocados e têm atenuação suficiente para aquele ruído. A atenuação de cada modelo vem no manual do fabricante e no CA: confira lá, para o ruído que foi medido. O resto da escolha depende da rotina de cada função.

TipoOnde costuma ir bemOnde costuma atrapalharCuidado principal
Plug de espumaExposição contínua, uso por pouco tempo, visitanteMão suja de massa, graxa ou desmoldanteColocação: espuma mal enrolada quase não veda
Plug pré-moldado (silicone ou similar)Uso diário, por quem lava e guarda no estojoCanal auditivo de tamanho diferente do plugTamanho certo e limpeza
Concha de arcoRuído intermitente, tira e põe o tempo todoCalor, suor, boné, haste grossa de óculosVedação da almofada
Concha acoplada ao capaceteQuem já usa capacete o dia todoCapacete de outro modelo, sem encaixeCompatibilidade com o capacete

Quando o plug costuma ganhar

  • Calor e sol na laje. O armador que passa a tarde exposto sua dentro da concha e acaba tirando. O plug esquenta menos.
  • Muito EPI ao mesmo tempo. Com óculos, respirador e protetor facial, a concha briga com as hastes e as tiras. O plug não disputa espaço.
  • Espaço apertado. No poço do elevador ou embaixo de forma, a concha bate e sai do lugar.

Quando a concha costuma ganhar

  • Ruído que vai e vem. O ajudante que liga a policorte por cinco minutos e depois vai carregar material põe e tira a concha em um segundo. O plug pede mão limpa e cuidado a cada recolocação.
  • Mão suja o dia inteiro. Pedreiro com mão de argamassa enfiando espuma no ouvido é convite para irritação. A concha não encosta no canal.
  • Quem não se adapta ao plug. Tem gente que não tolera nada dentro do ouvido. Ter concha à mão evita que essa pessoa fique sem nada.

A compatibilidade conta

A NR-6 pede que a seleção considere a compatibilidade quando o trabalhador usa vários EPIs ao mesmo tempo, para que um não tire a eficácia do outro (NR-6, item 6.5.2 g). No canteiro há dois exemplos clássicos: a haste do óculos que levanta a almofada da concha e a concha acoplável que não encaixa no capacete que a obra comprou. Antes de comprar o lote, confira no manual se a concha serve para aquele modelo de capacete.

Escolha com a equipe, não só pelo catálogo

A norma não deixa a escolha só para quem compra. A seleção do EPI deve ter a participação do SESMT, quando houver, depois de ouvir os empregados usuários e a CIPA ou o nomeado (NR-6, item 6.5.2.2). A adequação ao empregado e o conforto, avaliados pelo conjunto dos empregados, também estão entre os critérios (item 6.5.2 f).

Uma dica que funciona, e que é boa prática, não exigência: separe duas ou três opções aprovadas, com atenuação suficiente para o ruído medido, e deixe a turma da serra e do martelete testar por uma semana. Depois pergunte o que incomodou. Quem escolhe o próprio protetor costuma usar por mais tempo.

Como colocar do jeito certo

Protetor mal colocado protege bem menos do que diz a embalagem. A forma de usar e ajustar é uma das informações que a empresa deve passar na entrega, seguindo o manual do fabricante (NR-6, item 6.7.2 d). O que costuma valer na obra:

Plug de espuma

  1. Lave ou limpe a mão antes. Na obra, isso quer dizer pelo menos tirar a massa.
  2. Enrole a espuma entre os dedos até ela ficar fina e firme, sem dobrar.
  3. Com a mão do lado oposto, passe por trás da cabeça e puxe a orelha para cima e para trás. Isso abre o canal.
  4. Insira o plug e segure com o dedo até a espuma expandir. O tempo de espera está no manual.
  5. Teste: com o ruído ligado, cubra as orelhas com as mãos em concha. Se o som mudar muito, o plug não está vedando.

Plug pré-moldado

O tamanho conta. Se o plug sai sozinho quando a pessoa fala ou mastiga, provavelmente está pequeno. Se dói depois de meia hora, provavelmente está grande. Veja no manual se há tamanhos diferentes e qual é a indicação de cada um.

Concha

  • A almofada precisa encostar na cabeça em volta da orelha inteira, sem nada no meio: cabelo preso, boné, gola do moletom, brinco grande.
  • Ajuste o arco para a almofada apertar por igual. Arco frouxo deixa o som passar por baixo.
  • Com óculos, prefira hastes finas e confira se a almofada continua vedando.

Conservar, guardar e trocar

A NR-6 divide a conta. O trabalhador responde pela limpeza, pela guarda e pela conservação, e deve avisar quando o EPI se perder ou estragar (NR-6, item 6.6.1 c e d). A empresa responde pela higienização e pela manutenção periódica, quando aplicáveis, conforme o fabricante, e troca na hora o que estiver danificado ou extraviado (item 6.5.1 f e g).

No dia a dia:

  • Estojo, não bolso. Plug no bolso pega pó de cimento, fiapo e limalha, que depois vão para dentro do ouvido.
  • Concha fora do sol e longe de impacto. Pendurada no prego da parede do container, ao sol da tarde, a almofada resseca. Um tombo do andaime pode trincar a carcaça.
  • Limpeza como manda o manual. Como lavar, com quê e quando trocar a almofada ou o plug reutilizável é informação do fabricante. Não invente frequência e não use solvente da obra.
  • Critério de troca fácil de ver. Almofada rachada, endurecida ou deformada, espuma que não volta ao formato, plug rasgado, arco que perdeu a pressão: troca na hora.
  • Plug descartável é descartável. Quando o registro da entrega individual não for viável, a norma pede que a empresa mantenha o EPI descartável disponível na embalagem original, em quantidade suficiente e com reposição imediata (NR-6, item 6.5.1.2). Caixa vazia no almoxarifado às 7h é o motivo mais comum de ver gente na serra sem nada.

Os erros mais comuns no canteiro

  • Plug de espuma só encostado na entrada do ouvido, sem enrolar.
  • Tirar o protetor "só um minuto" para conversar, perto da máquina ligada.
  • Concha por cima do boné ou da touca.
  • Emprestar o plug do colega. Protetor auditivo é de uso individual.
  • Proteger só quem opera e esquecer o ajudante ao lado do martelete, que pega o mesmo ruído.
  • Achar que, se não dói, não faz mal.

Como conversar com a equipe

O maior inimigo do protetor auditivo é que a perda de audição pelo ruído não dói e chega devagar. O pedreiro só percebe anos depois, quando pede para repetirem tudo. Diga isso no DDS com exemplos da própria obra: a serra de bancada, o compactador, a furadeira de impacto na laje de cima.

Algumas conversas que funcionam:

  • "Eu preciso ouvir a ré do caminhão." É uma preocupação legítima. Leve ao técnico de segurança, que pode avaliar outro modelo ou outra organização da frente de serviço. Não resolva tirando o protetor.
  • "Incomoda." Pergunte o que incomoda. Plug que dói costuma ser problema de tamanho ou de colocação. Concha que esquenta pode virar plug. Desconforto tem solução, e a norma pede que o conforto entre na escolha.
  • "O encarregado não usa." O exemplo vem de cima. Encarregado e mestre de obras usando o protetor perto da máquina dizem mais que qualquer cartaz.
  • Mostre na prática. Faça a colocação do plug na frente da turma e o teste das mãos em concha. Cinco minutos assim valem mais que dez slides.

Lembre também que exigir o uso é obrigação da empresa (NR-6, item 6.5.1 e) e que usar o EPI fornecido é obrigação do trabalhador (item 6.6.1 a). A conversa vem antes da cobrança, mas não toma o lugar dela.

O que fazer na segunda-feira

  1. Pegue o levantamento de riscos da obra e veja quais funções e atividades estão expostas a ruído.
  2. Confira se o protetor entregue a cada uma tem CA e atenuação compatível, pelo manual e pelo CA.
  3. Ande pela frente de serviço com o ruído ligado e veja quem está com o protetor no ouvido, e não no pescoço.
  4. Veja a caixa de plugs descartáveis no almoxarifado e combine o ponto de reposição.
  5. Separe uma ou duas opções alternativas para quem não se adapta ao modelo atual.
  6. Marque um DDS curto sobre colocação, com demonstração.

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Fontes

  1. Protetor auricular: por que usar e como escolher
  2. Guia básico de proteção auditiva: Saiba como escolher EPIs
  3. Qual a diferença de protetor auricular plug e concha?
  4. Programa de Proteção Auditiva | 3M EPIs
  5. Protetor auricular: conheça os tipos e saiba para que serve ...

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CN
Carlos Eduardo NascimentoAndaimista · Alpha Andaimes

Ficha de EPI assinada

  • Capacete1 unidade
  • Cinturão1 unidade
  • Talabarte1 unidade
Exemplo de ficha assinada. Dados de exemplo.