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Guia

EPI para pintor na obra: o que a NR-6 pede e dicas de uso

Qual EPI o pintor usa em cada etapa, do lixamento ao balancim, o que a NR-6 exige, os erros mais comuns e como conversar com a equipe de pintura.

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Segunda de manhã, 7º andar. O pintor vai lixar massa corrida com a mesma máscara descartável que usou na sexta para aplicar esmalte. Ela ficou pendurada no pescoço o fim de semana inteiro. Os óculos estão na testa e a luva é de pano, já dura de tinta. É uma cena comum no acabamento, e quase tudo nela está errado. Este guia de EPI para pintor reúne o que a segurança do trabalho precisa conferir na obra: como escolher, usar, ajustar, guardar e trocar cada equipamento, e como falar disso com a equipe.

O que a NR-6 exige e o que é boa prática

A NR-6 não traz uma lista pronta de EPI do pintor. Ela diz como a empresa deve escolher e fornecer. Pelo texto oficial da NR-6, item 6.5.1, cabe à organização:

a) adquirir somente o aprovado pelo órgão de âmbito nacional competente [...]; b) orientar e treinar o empregado; c) fornecer ao empregado, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento [...]; d) registrar o seu fornecimento ao empregado [...]; e) exigir seu uso; [...] g) substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado

A escolha, pelo item 6.5.2, considera a atividade, os riscos avaliados, a eficácia, o conforto e a compatibilidade quando o trabalhador usa vários EPIs ao mesmo tempo. O item 6.5.2.2 manda ouvir os usuários e a CIPA ou o nomeado. Na obra, a NR-18, item 18.4.3 e, pede que o PGR traga a relação dos EPIs e suas especificações técnicas, de acordo com os riscos (texto oficial da NR-18).

Na prática, o kit do pintor sai do PGR da obra e da ficha de segurança de cada produto, não de um artigo de blog. As dicas abaixo são boa prática de canteiro. Quando forem exigência de norma, o item vem citado.

Cada etapa da pintura tem um risco diferente

O erro de base é tratar a pintura como uma atividade só. Lixar, aplicar com rolo, aplicar com pistola e limpar ferramenta com solvente são riscos diferentes. A tabela serve de ponto de partida para revisar o kit. Quem decide é o PGR.

EtapaRisco principalEPI que costuma entrar
Lixamento de massa, selador e rebocoPoeira finaRespirador para partículas, óculos de ampla visão, luva de vaqueta ou tricotada
Tinta à base de água com rolo ou pincelRespingo no olho e na peleÓculos, luva nitrílica, roupa de manga comprida
Esmalte, verniz, epóxi, fundo com solventeVapor orgânicoPeça semifacial com filtro químico ou combinado, luva resistente ao produto
Pistola ou airlessNévoa de tinta e vaporFiltro combinado, óculos ou protetor facial, macacão
Limpeza de rolo e pistola com thinner ou aguarrásVapor e contato com a peleFiltro químico, luva resistente ao solvente
Fachada, balancim, cadeira suspensaQueda de pessoa e de materialCinturão e trava-quedas do SPIQ, capacete com jugular

Antes de fechar o kit, abra a ficha de segurança da tinta e do solvente que a obra comprou. A seção de controle de exposição e proteção individual diz que tipo de filtro e de luva o fabricante indica. Se a obra trocar de tinta no meio do caminho, a revisão do kit vai junto.

Respirador: onde mais se erra

Máscara descartável não segura vapor de solvente

O Anexo I da NR-6, item D.1, mostra a diferença. As peças filtrantes PFF protegem contra poeiras, névoas e, conforme a classe, fumos. Para gases e vapores, a norma fala em peça com filtros químicos, ou com filtros combinados quando há partícula e vapor juntos. Ou seja, a PFF serve no lixamento, mas não protege o pintor que aplica esmalte com solvente num banheiro fechado. Essa confusão aparece em toda obra.

Vedação vem antes do filtro

O melhor filtro não adianta se o ar entra pela lateral. Barba, bigode grosso e costeleta atrapalham a vedação das peças que encostam no rosto. Faça o pintor executar a verificação de vedação descrita no manual sempre que colocar a máscara. Tamanho também conta: tenha mais de um tamanho de peça semifacial no almoxarifado, porque nem todo rosto cabe no médio.

Troca e guarda

O critério de troca de filtro é o do fabricante e o do programa da empresa. Uma regra simples para a equipe: se começou a sentir o cheiro da tinta com a máscara bem ajustada, sai da área e avisa o encarregado. Fora do uso, o respirador vai num saco fechado ou num pote com o nome do pintor, longe da sala de tinta. Pendurado no pescoço, ele junta pó, suor e vapor. Confira no manual como guardar o filtro químico depois de aberto.

Olhos, mãos e pele

Óculos. Quem pinta teto recebe respingo de baixo para cima, e os óculos de lente reta deixam a fresta. Para teto e pistola, os de ampla visão protegem melhor. O motivo mais comum para o pintor tirar os óculos é o embaçamento, então vale escolher lente antiembaçante e testar junto com o respirador, porque a máscara empurra os óculos e o ar quente sobe para a lente. É a compatibilidade do item 6.5.2 g na prática. Se o pintor usa óculos de grau, o item 6.5.4 diz que a seleção deve considerar óculos de sobrepor ou a adaptação do EPI, sem ônus para ele.

Luvas. A nitrílica resolve bem a tinta à base de água. Para solvente forte, confira no CA e no manual se a luva resiste àquele produto: há luva que amolece ou deixa o solvente passar em pouco tempo. Luva de pano encharcada de tinta é pior do que nenhuma, porque segura o produto encostado na pele. Se a empresa usa creme de proteção, o item 6.5.1.2 pede que, quando o registro for inviável, ele fique disponível na embalagem original e em quantidade suficiente no local de trabalho.

Roupa. Manga comprida e calça resolvem o rolo e o pincel. Na pistola, o macacão descartável com capuz evita que a névoa entre pela gola e pelo cabelo. Roupa que fica dura de tinta e solvente vai para a troca, não para o varal do alojamento.

Pintura em altura: andaime, balancim e cadeira suspensa

Na fachada, o risco que mata é a queda, não a tinta. A NR-18, item 18.12.45, diz que a cadeira suspensa deve ter sustentação por cabo de aço ou de fibra sintética, dispositivo com dupla trava de segurança e cinto para fixar o trabalhador. O Anexo I da NR-18, item 2.1 i, lista o conteúdo do treinamento de quem usa cadeira suspensa, incluindo tipos de ancoragem, tipos de nós, manutenção e técnicas de autorresgate.

Pela NR-35, item 35.6.6.2, a inspeção rotineira do SPIQ é feita antes do início dos trabalhos. O glossário da NR-35 explica que essa inspeção é visual e tátil e que o próprio trabalhador a executa. A análise de risco, item 35.5.5.1 f, deve considerar o risco de queda de materiais e ferramentas. Para o pintor, isso quer dizer balde preso, rolo e espátula amarrados e área isolada embaixo.

Uma dica que pouca gente dá: tinta e solvente no cinturão e no talabarte. Fita dura de tinta esconde corte e desgaste na inspeção, e alguns solventes atacam o material sintético. Limpe só do jeito que o manual do fabricante manda e, na dúvida sobre o estado da fita, tire de uso e fale com o técnico.

Conservar, guardar e trocar

A NR-6 divide a responsabilidade. O item 6.6.1 diz que cabe ao trabalhador usar o EPI fornecido, só para a finalidade dele, cuidar da limpeza, da guarda e da conservação e avisar quando ele for extraviado ou danificado. Cabe à empresa trocar na hora o que estragou (item 6.5.1 g) e cuidar da higienização e da manutenção quando o fabricante prevê (item 6.5.1 f).

No canteiro, isso funciona assim:

  • Cada pintor tem um pote ou uma caixa com o nome, para o respirador e os óculos.
  • O EPI não fica na sala de tinta nem em cima da lata de solvente.
  • Luva furada, óculos riscados a ponto de atrapalhar a visão e máscara com elástico frouxo são trocados no mesmo dia.
  • Filtro e luva descartáveis ficam no almoxarifado em quantidade para a semana, não para a tarde.

Erros comuns na equipe de pintura

  • Usar a mesma máscara descartável no lixamento e na aplicação de esmalte.
  • Tirar a máscara para falar com o colega dentro do cômodo fechado.
  • Pintar de barba feita na segunda e de barba cheia na sexta, com a mesma peça semifacial.
  • Lavar a mão com thinner no fim do dia.
  • Deixar os óculos na testa porque embaçam.
  • Usar o cinto do colega no balancim sem fazer a inspeção antes de subir.
  • Trocar a tinta da obra sem revisar o filtro e a luva do kit.

Como conversar com a equipe de pintura

O item 6.7.2 da NR-6 pede que, na entrega, a empresa informe para que serve o EPI, as limitações dele, como usar e ajustar, quando trocar e como limpar e guardar. Com pintor, isso funciona melhor na frente de serviço do que na sala de reunião. Leve a máscara, o filtro e a lata do produto e mostre a diferença entre a PFF e o filtro químico, com a embalagem na mão.

Pergunte antes de impor. O pintor sabe qual luva faz perder o tato no pincel e quais óculos embaçam no banheiro sem janela. Ouvir o usuário é inclusive parte da seleção prevista no item 6.5.2.2. Quando a pintura é de uma empreiteira, combine com o encarregado dela quem fornece o quê e confira o kit no primeiro dia, não na véspera da entrega do apartamento.

Use exemplos do próprio canteiro. Dor de cabeça no fim do dia de esmalte, ardência no olho depois do teto, mão rachada de solvente: o pintor já sentiu tudo isso e entende a conversa na hora.

O que fazer na segunda-feira

  1. Liste as etapas de pintura da obra e os produtos usados, com a ficha de segurança de cada um.
  2. Confira se o kit do PGR separa o respirador para partículas do respirador para vapor.
  3. Teste óculos e respirador juntos, no rosto de quem vai usar.
  4. Confira no CA e no manual se a luva resiste ao solvente da obra.
  5. Organize a guarda individual do respirador, fora da sala de tinta.
  6. Na fachada, acompanhe uma inspeção rotineira do cinturão antes da subida.

Quando o kit do pintor estiver definido, você pode registrar cada entrega com assinatura no celular e começar grátis no CanteiroDocs em /cadastro.

Fontes

  1. EPIs 3M para Pintura Industrial
  2. A importância do uso de Epi´s - GlobalColor
  3. Os 3 EPI's indispensáveis para pintar com segurança e ... - Koria
  4. Cuidados na hora da pintura: o uso dos EPI's - Miracor Tintas
  5. EPI para pintura: conheça os principais e indispensáveis

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CN
Carlos Eduardo NascimentoAndaimista · Alpha Andaimes

Ficha de EPI assinada

  • Capacete1 unidade
  • Cinturão1 unidade
  • Talabarte1 unidade
Exemplo de ficha assinada. Dados de exemplo.